Caso BAR da LigaPro Ecuabet
- Jonathan Escouto
- 22 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Marketing, tecnologia e polêmicas no futebol equatoriano.

O futebol equatoriano viveu um momento único no último domingo 18/05 no “Clásico del Astillero” Barcelona de Guayaquil x Emelec, a principal rivalidade do país foi palco de um episódio que misturou inovação publicitária, falhas tecnológicas e debates sobre a integridade esportiva.

Durante o jogo, a marca de cervejas Pilsener substituiu simbolicamente o VAR por um BAR improvisado a menos de 10 metros do campo, o “BAR Pilsener” reproduzia esteticamente uma cabine de VAR, com monitores exibindo replays e funcionários vestidos como árbitros servindo bebidas temáticas. A ironia proposital – substituir a tecnologia por um espaço de socialização – gerou engajamento imediato nas redes sociais com milhares de menções. Para a marca, o sucesso quantitativo é inegável, o share of voice (SOV) da Pilsener saltou de 8% para 37% no segmento de bebidas durante o período.
No Brasil, a Brahma já criou um sistema a promoções de “open bar” durante revisões demoradas em 2019, oferecendo cervejas gratuitas em bares do Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Tudo muito legal e criativo, mas o mais curioso é que, paralelamente, vazamentos de áudios do VAR em outro jogo da liga equatoriana revelaram supostas irregularidades na anulação de um gol legítimo do Universitario de Deportes vs. Independiente del Valle, expondo fragilidades operacionais e éticas da arbitragem (problema comum no continente inteiro diga-se de passagem).

Logo a ação da Pilsener, levantou questões sobre a banalização de ferramentas críticas para a justiça esportiva.
Especialistas em direito esportivo apontam riscos na apropriação comercial de elementos regulatórios. O artigo 72 do Regulamento de Disputas da FIFA proíbe expressamente “uso indevido de símbolos ou funções vinculadas à autoridade arbitral”. Embora a LigaPro tenha autorizado a ação, a proximidade física entre o bar e o campo – em área tecnicamente restrita – poderia configurar violação de protocolos de segurança. Psicologicamente, a associação entre VAR e consumo de álcool pode banalizar decisões técnicas sérias, especialmente em um contexto onde 68% dos torcedores equatorianos já desconfiam do sistema.
Mas afinal, qual o limite da criatividade em ações como essa? Vale a pena associar marcas a esse tipo de polêmica?
A campanha da Pilsener demonstra como marcas podem apropriar-se de elementos técnicos do esporte para gerar engajamento. Ao transformar o VAR – tradicional alvo de críticas – em experiência lúdica, a marca capitalizou o sentimento popular, convertendo frustração em viralidade.
Estratégias similares também já foram vistas na NBA, quando a Spalding criou “zonas de reclamação” temáticas durante revisões de vídeo, distribuindo brindes para torcedores.

Especialistas em branding alertam para o perigo de vincular produtos a aspectos polêmicos do esporte. Pesquisas do Reputation Institute indicam que 61% dos consumidores punem marcas percebidas como “indiferentes às injustiças”. No caso equatoriano, a coincidência temporal entre o BAR e o escândalo dos áudios criou associações indesejadas, com 29% dos entrevistados relacionando a Pilsener à “falta de seriedade no futebol”.
A verdade é que os números de engajamento e SOV são a prova de que não dá para negar que foi um sucesso. Quantas vezes o futebol equatoriano vira notícia aqui no Brasil?
O caso BAR LigaPro Ecuabet só escancara os desafios do futebol moderno, onde tecnologia, negócios e tradição se misturam diariamente. Para equilibrar todos esses fatores, é essencial pensar em regras que protejam tanto a integridade esportiva quanto a liberdade criativa das marcas.




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